sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vadiagem...

É sempre assim: quanto mais me pego atarefada, mais arranjo tempo pra dar uma de vadia - no sentido literal da palavra, sem putices, por favor. Se bem que uma coisa acaba levando à outra às vezes... Enfim. Foi assim que ontem, em meio aos tantos projetos que preciso iniciar, terminar, encaminhar, revisar, arranjei um tempo pra ir ao cinema. E foi assim que hoje arranjei um tempo pra escrever cá no blog.

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Fui ver O Procurado, já que saía de cartaz nessa quinta. Já tinha perdido O Nevoeiro, não queria perder esse também. Como gosto de fazer, fui sem ter muita noção do que se travatava, ou melhor, pra não dizer que não fazia idéia, passei os olhos por um artigo que falava da violência do filme, vi trechos de um making of em algum canal perdido e sabia da Mrs. Pitt no cartaz, com um baita brinquedinho bélico nas mãos. Mas era só.

A bem da verdade é que o filme me agradou muito. É bem violento, sim. Quase um tapa na cara, sem sopro depois. Mas o que é bem notável, logo de início, é a direção. De cara percebe-se que é alguém "novo" na área, movimentos de câmera ousados, uma edição também diferente. Nos primeiros instantes dá até um certo desconforto, mas conforme a trama se desenvolve, a gente vê que no fim das contas aquilo tudo faz parte. Trama por sinal bem bacana. Um bom argumento, uma lógica bem resolvida e uma pitada nada econômica de reviravoltas e novas descobertas na história. Importante: sem deixar nada no ar ou em aberto. Até confesso que me peguei vendo referências de outros filmes de ação do mesmo naipe, essa história de "você-é-uma-pessoa-que-você-não-conhece-ainda", sabe? Mas essa sensação de "já-vi-isso-antes" logo foi sendo diluída, conforme o filme rodava.

E como rodou! São quase 2 horas de filme, 2 horas bem perceptíveis, mas não devido a um certo marasmo e ânsia de que "termine logo que quero sair da sala do cinema". São 2 horas perceptíveis porque há muita informação. A trama é repleta de conteúdo - e isso é bom! - e, pra mim, ficou tudo bem explicado, do início ao fim - o que tem muito "filmão" por aí deixando a desejar. O que é ainda melhor nisso tudo: o filme transcorre sem frescuras ou frufrus. Se a boazuda beija o mocinho afinal de contas? Aqui vai um spoiler: beija. Mas nem aí tem bobageira de romance envolvida.

Falei sobre minhas impressões porque cheguei em casa e fui ler a Rolling Stone, onde encontro uma crítica ao tal d'O Procurado. E ali descubro que é mais uma das duzentas adaptações de quadrinhos que estão sendo feitas ultimamente. Ah, meu pai! Elas me perseguem! Pois é... Nunca escondi e faço questão de escrever para quem quiser ler: não sou fã de quadrinhos. Não tenho saco pra ler, não leio e que bom que as histórias boas vão parar nos telões, porque assim eu tomo conhecimento delas. Acontece que a crítica caiu no lugar comum de chinelear a adaptação: porque o roteiro isso, porque o enredo aquilo, porque vai procurar a obra original que é melhor. Blábláblá. Meu querido, muito obrigada, mas gastar espaço em revista pra dizer que o original é melhor, é de última. Informar os desavisados que se trata de uma adaptação, tudo bem, vá lá, valeu por isso! Mas que os quadrinhos são melhores, isso não é novidade nenhuma!

Um exemplo que pra mim é bem palpável, é o tal do Harry Potter. Já me perguntaram inúmeras vezes se eu gosto dos filmes e a resposta tem que vir com algumas considerações. Bom, pra quem lê os livros, tá, é legal ver a "personificação" daquilo que tu lia. Mas é óbvio que não tem como explorar tudo o que um livro pode explorar. E é claro que o leitor vai sempre esperar da adaptação uma fidelidade inatingível. Pois é, inatingível. Então sempre que me perguntam se gosto dos filmes, posso dar uma opinião sobre a parte técnica, sobre impressões de fotografia, cenário, figurino, interpretação... Mas sobre o enredo/roteiro em si? Acho difícil. Pergunta pra quem nunca leu o livro e vê se ficou tudo bem claro e sem sobras (ou faltas..).

E aí é que acho que a coisa flui. Se uma pessoa que desconhece a história, senta a bundinha no cinema e consegue sair de lá entendendo a moral do filme, pronto. Sucesso. É isso o que conta. Agora, se o cara que leu a obra original vai esperando ver quadro por quadro da HQ em tela, é porque é muito burro mesmo. Recorta tuas revistinhas, grampeia e fica folheando rápido pra ver o que tu espera.

***

Aí, a Josie indignada vai ler a resenha do Omelete. E pá.
Ainda bem que tem gente sensata neste mundo. Ao invés de apedrejar a adaptação, o crítico logo diz: "
Filme [O Procurado] não tem nada a ver com a HQ. Tem, sim, idéias próprias". E a seguir discorre sobre o que, no fim das contas, é o que interessa pra quem vai ali ler a seção sobre Cinema (ou pra quem vai até o cinema, de fato, como eu): o f-i-l-m-e.

***

/fim da vadiagem.

3 comentários:

Frederick Martins disse...

Não entendi o "não leu, né? Parece alguém que eu conheço..."

Frau Bersch disse...

hahahaha! adorei a de grampear as revistas e ficar folhando rápido!
será que se eu fizer isso com harry potter funciona?
(só mais 240 páginas)

Nana disse...

Entendo muito bem essa coisa de vadiar quando se tem mil coisas pra fazer. Tipo, tenho váaarias provas essa semana, mas resolvi ler harry potter. sabe como é.. eu nem tive uns mil anos pra ler esse sétimo livro. então passei o findi inteirinho lendo ele. e não estudei pra prova, agora eu preciso me açoitar

convite? =D