Efeito dominó. Quando você cai, eu caio junto.
Bom dia!
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Por trás...
Tem cheiro de mim nas tuas roupas
E de luz apagada tu me enxergas
Não me devolvas o que eu não quero aceitar
Mas joga fora aquilo que não é mais teu
Por conta e risco tu guardas esse tesouro
Um matadouro de todas as esperanças
Nem cheiro meu nem cheiro teu nas tuas roupas
É coisa una.
Tem cheiro de ti nas minhas roupas
De luz acesa vejo o nada que me cerca
Não jogo fora o que eu quero guardar
Mas eu devolvo aquilo que não é meu
Por conta e risco eu queimo mais um tesouro
Um só berçário para novas esperanças
Nem cheiro teu nem cheiro meu nas minhas roupas
É coisa una.
Tem cheiro de fim em toda roupa
E na meia-luz nada daqui se leva
Não se devolve aquilo que degenera
Mas se põe fora o que já envelheceu
Por conta e risco se guarda feito tesouro
Um relicário ávido por lembranças
Nem cheiro meu nem cheiro teu em qualquer roupa
Nem coisa alguma.
***
Revirando o passado.
E de luz apagada tu me enxergas
Não me devolvas o que eu não quero aceitar
Mas joga fora aquilo que não é mais teu
Por conta e risco tu guardas esse tesouro
Um matadouro de todas as esperanças
Nem cheiro meu nem cheiro teu nas tuas roupas
É coisa una.
Tem cheiro de ti nas minhas roupas
De luz acesa vejo o nada que me cerca
Não jogo fora o que eu quero guardar
Mas eu devolvo aquilo que não é meu
Por conta e risco eu queimo mais um tesouro
Um só berçário para novas esperanças
Nem cheiro teu nem cheiro meu nas minhas roupas
É coisa una.
Tem cheiro de fim em toda roupa
E na meia-luz nada daqui se leva
Não se devolve aquilo que degenera
Mas se põe fora o que já envelheceu
Por conta e risco se guarda feito tesouro
Um relicário ávido por lembranças
Nem cheiro meu nem cheiro teu em qualquer roupa
Nem coisa alguma.
***
Revirando o passado.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Buraco Errado...
-ou Até a Mãe...-
- Falei pro vô que ia levar o Notebook até ele pra ele te ver um pouquinho.
- Mas eu não tenho Webcam...
- Não?! Como não?!
- Nunca tive, mãe...
- Ah, então vou te dar um Notebook!
- Mas..
- É, ele já vêm com Webcam embutido!
- Mãe..!
- Sim, filha, um Notebook pra você apresentar teus trabalhos pros teus clientes!
- Mãe... Eu não sou publicitária...
- ... Ah, é!!!
***
Mono...o quê?!
Que é isso??
***
Beijinho, quengas!
- Falei pro vô que ia levar o Notebook até ele pra ele te ver um pouquinho.
- Mas eu não tenho Webcam...
- Não?! Como não?!
- Nunca tive, mãe...
- Ah, então vou te dar um Notebook!
- Mas..
- É, ele já vêm com Webcam embutido!
- Mãe..!
- Sim, filha, um Notebook pra você apresentar teus trabalhos pros teus clientes!
- Mãe... Eu não sou publicitária...
- ... Ah, é!!!
***
Mono...o quê?!
Que é isso??
***
Beijinho, quengas!
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Derrama meu líquido...
Enganaram-me. Enganaram-me não.
Sempre tive o amor como um sentimento transcendental.
Não por experiência própria, claro. Mas por narrativa alheia. E acreditei.
O amor cega, ensurdece, emudece, dá calafrios.
Revira teus olhos, embrulha teu estômago e te balança as pernas.
Te faz uma pessoa diferente, que sente diferente, que olha diferente, porque o mundo ao redor mudou.
O coração pára, e quando funciona é um estrondo.
A noção de tempo se transforma. Tudo gira em câmera lenta. De repente tudo é ar.
O que é voluntário no corpo, vê-se involuntário. Tudo é impulso, tudo é certo, tudo é água.
É como fazer suspensão. Ou navegar no infinito do eterno, do universo, do céu.
Tudo que brilha emana alegria. Tudo que chora é bonito. Tudo é poesia.
Tudo é extremo.
A gente é ansiedade, é incerteza, é desespero. Desespero. Desespero.
E a gente chora. Mas ama.
Mas é tudo mentira.
O amor cega, ensurdece, emudece e dá calafrios.
E quando a gente menos percebe, se jogou num precipício sem volta.
O coração não pára. Ele congela.
A noção de tempo se transforma. Porque nada chega, nada chega. De repente tudo é terra.
O que é voluntário no corpo, vê-se involuntário. Tudo é descontrole, tudo é podre.
É como fazer suspensão. E só sentir dor. Dor. Dor.
Tudo que brilha emana alegria. E debocha do meu choro. Tudo é fantasia, ilusão.
Tudo é extremo.
A gente é ansiedade, é incerteza, é desespero. Desespero. Desespero.
E a gente chora. E não quer mais amar.
Sempre tive o amor como um sentimento transcendental.
Não por experiência própria, claro. Mas por narrativa alheia. E acreditei.
O amor cega, ensurdece, emudece, dá calafrios.
Revira teus olhos, embrulha teu estômago e te balança as pernas.
Te faz uma pessoa diferente, que sente diferente, que olha diferente, porque o mundo ao redor mudou.
O coração pára, e quando funciona é um estrondo.
A noção de tempo se transforma. Tudo gira em câmera lenta. De repente tudo é ar.
O que é voluntário no corpo, vê-se involuntário. Tudo é impulso, tudo é certo, tudo é água.
É como fazer suspensão. Ou navegar no infinito do eterno, do universo, do céu.
Tudo que brilha emana alegria. Tudo que chora é bonito. Tudo é poesia.
Tudo é extremo.
A gente é ansiedade, é incerteza, é desespero. Desespero. Desespero.
E a gente chora. Mas ama.
Mas é tudo mentira.
O amor cega, ensurdece, emudece e dá calafrios.
E quando a gente menos percebe, se jogou num precipício sem volta.
O coração não pára. Ele congela.
A noção de tempo se transforma. Porque nada chega, nada chega. De repente tudo é terra.
O que é voluntário no corpo, vê-se involuntário. Tudo é descontrole, tudo é podre.
É como fazer suspensão. E só sentir dor. Dor. Dor.
Tudo que brilha emana alegria. E debocha do meu choro. Tudo é fantasia, ilusão.
Tudo é extremo.
A gente é ansiedade, é incerteza, é desespero. Desespero. Desespero.
E a gente chora. E não quer mais amar.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Gozado...
Deus é mesmo gozadinho...
Ele fica lá em cima, todo-poderoso, com o pau na mão. Olha pra baixo, aponta o dedo pra mim, e gargalha histericamente da minha agonia.
Muito gozadinho.
Pau-no-cu do Nosso Senhor.
***
Desculpa, foi só um momento emo do meu blog.
(Mais uma prova de que nosso Pai é mesmo um filho da puta!)
***
"Here we come knocking the door,
Dropping you to the floor,
'Til you want some more."
Let's go... [Here we go again. Ai,ai.]
***
Ju, Happy birthday to you! ;D Tá, tá.. Alles gute zum Geburtstag! ;}
Ele fica lá em cima, todo-poderoso, com o pau na mão. Olha pra baixo, aponta o dedo pra mim, e gargalha histericamente da minha agonia.
Muito gozadinho.
Pau-no-cu do Nosso Senhor.
***
Desculpa, foi só um momento emo do meu blog.
(Mais uma prova de que nosso Pai é mesmo um filho da puta!)
***
"Here we come knocking the door,
Dropping you to the floor,
'Til you want some more."
Let's go... [Here we go again. Ai,ai.]
***
Ju, Happy birthday to you! ;D Tá, tá.. Alles gute zum Geburtstag! ;}
domingo, 6 de abril de 2008
Trepando em pau-de-sebo...
Sabem pau-de-sebo, de festa junina?
É um pau enorme, liso, fincado no chão, todo besuntado e com um prêmio na ponta, em que as pessoas têm que trepar pra alcançar o topo. Você sobe, sobe, sobe e desce, desce, desce. Parece até que desce mais que sobe, mas isso é impossível. O chão é o limite. Então você só desce aquilo que subiu. Mas a verdade é que no fim das contas parece que a gente caiu sem parar.
***
Eu não sei onde foi que eu me perdi ou me deixei levar, mas faz um bom tempo que eu não sou a mesma. Mas e quem é permanentemente sempre o mesmo?
Há anos atrás eu acompanhava os noticiários na TV, lia revistas aos finais de semana e lia 13 livros na escola quando a professora pedia um relatório bimestral de apenas 3 livros. Eu também - acreditava que - era informada sobre tudo um pouco, meus colegas de aula tinham um conhecimento que a mim parecia vasto - ainda imaturo, mas sabiam de muitas coisas, e coisas diversas. O meu mundo, para além das matérias às quais mais me afeiçoava, era também matemática-física-química, não só aulas de redação, editoração ou vídeo. Meu mundo tinha mais cores, tinha mais salas, mais gente diferente - não era rodeada de nerds-geeks-indies ou gente-alternativa-padrão. Eu vivia rodeada inclusive de bitolados e de patricinhas e, por mais que amasse falar mal de todos, eles me ajudaram a construir por antagonismo e oposição aquilo que eu sou.
Hoje eu como, durmo, acordo e saio de casa no automático porque é só mais um dia. Eu vejo na TV paga aquilo que me diverte; pouco que me ensine. Não estudo, mal eu leio - coleciono livros, mas poucos eu consigo ler até o final. Vivo enfastigada - de não fazer nada. De pensar que estou no lugar errado - mesmo que rodeada de gente igual ou bem parecida a mim. Eu não me vejo num futuro próximo. E quando eu tento, nada é similar aos meus sonhos pueris. Estou no fim de uma estrada que não dá em lugar algum - ou em qualquer lugar que não é pra mim. Tenho tudo tão perto, mas tudo o que quero está longe. Bem longe. Eu não sei direito onde me perdi, onde errei ou onde me deixei levar. Mas parece que quanto mais eu subo, mais eu desço. E às vezes parece que eu só desço, sem ter pra onde ir.
Acho que tô num pau-de-sebo. E o prêmio tá distante. E o chão já ficou pra cima. Faz tempo.
É um pau enorme, liso, fincado no chão, todo besuntado e com um prêmio na ponta, em que as pessoas têm que trepar pra alcançar o topo. Você sobe, sobe, sobe e desce, desce, desce. Parece até que desce mais que sobe, mas isso é impossível. O chão é o limite. Então você só desce aquilo que subiu. Mas a verdade é que no fim das contas parece que a gente caiu sem parar.
***
Eu não sei onde foi que eu me perdi ou me deixei levar, mas faz um bom tempo que eu não sou a mesma. Mas e quem é permanentemente sempre o mesmo?
Há anos atrás eu acompanhava os noticiários na TV, lia revistas aos finais de semana e lia 13 livros na escola quando a professora pedia um relatório bimestral de apenas 3 livros. Eu também - acreditava que - era informada sobre tudo um pouco, meus colegas de aula tinham um conhecimento que a mim parecia vasto - ainda imaturo, mas sabiam de muitas coisas, e coisas diversas. O meu mundo, para além das matérias às quais mais me afeiçoava, era também matemática-física-química, não só aulas de redação, editoração ou vídeo. Meu mundo tinha mais cores, tinha mais salas, mais gente diferente - não era rodeada de nerds-geeks-indies ou gente-alternativa-padrão. Eu vivia rodeada inclusive de bitolados e de patricinhas e, por mais que amasse falar mal de todos, eles me ajudaram a construir por antagonismo e oposição aquilo que eu sou.
Hoje eu como, durmo, acordo e saio de casa no automático porque é só mais um dia. Eu vejo na TV paga aquilo que me diverte; pouco que me ensine. Não estudo, mal eu leio - coleciono livros, mas poucos eu consigo ler até o final. Vivo enfastigada - de não fazer nada. De pensar que estou no lugar errado - mesmo que rodeada de gente igual ou bem parecida a mim. Eu não me vejo num futuro próximo. E quando eu tento, nada é similar aos meus sonhos pueris. Estou no fim de uma estrada que não dá em lugar algum - ou em qualquer lugar que não é pra mim. Tenho tudo tão perto, mas tudo o que quero está longe. Bem longe. Eu não sei direito onde me perdi, onde errei ou onde me deixei levar. Mas parece que quanto mais eu subo, mais eu desço. E às vezes parece que eu só desço, sem ter pra onde ir.
Acho que tô num pau-de-sebo. E o prêmio tá distante. E o chão já ficou pra cima. Faz tempo.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
No oco...
Lembrete auto-direcionado
Jamais deixe a linha contínua.
Quebre o link.
Desvencilhe o trilho.
Dê coordenadas erradas, para todas as direções.
Se esconda sob vários nomes, diversas cores e cabelos variados.
Deixe outra pessoa no mundo e viva num universo paralelo.
Eles sempre vão tentar descobrir todas as formas de saber quem você realmente é.
***
O meu nome é Joana, mas podem me chamar de DrammaQueen.
Jamais deixe a linha contínua.
Quebre o link.
Desvencilhe o trilho.
Dê coordenadas erradas, para todas as direções.
Se esconda sob vários nomes, diversas cores e cabelos variados.
Deixe outra pessoa no mundo e viva num universo paralelo.
Eles sempre vão tentar descobrir todas as formas de saber quem você realmente é.
***
O meu nome é Joana, mas podem me chamar de DrammaQueen.
domingo, 18 de novembro de 2007
Bondage...
Domingos são, por natureza, deprimentes.
Os vinte e poucos anos correspondem a uma fase desesperadora da vida.
E final de ano é uma das épocas mais críticas do ano.
Acho que tudo se torna um pouquinho assim porque parece que a gente tá chegando sempre ao fim, as coisas estão passando, a gente vê que não fez nada ainda e que ainda muito mais está lá para ser feito. Dá uma sensação de coisa incompleta, de tudo pela metade e de nada satisfeito.
A fome se torna insaciável, a sede corrói os lábios, resseca a garganta, os membros se movem tão lentamente quanto nos sonhos. A corrida se torna vagarosa, mas a estrada é tão ligeira que nossos pés não acompanham. Tudo passa como as árvores passam pela janela do carro, com o pai dirigindo, nas férias de verão. A gente vê os vultos, as sombras, um borrão estranho e desfocado, mistura de verde com céu e nuvem. Isso quando a gente olha pro lado. Porque, curiosamente, e isso, a Física deve explicar, quando a gente olha pra frente ou pra trás, dá pra ver tudo mais nitidamente, mesmo que isso não signifique uma plena visão. Logo as coisas passam, logo as coisas vão.
***
Faz horas que eu paro pra pensar em como a gente vê tudo em partes, a gente divide tudo, classifica, escolhe, ignora. A gente divide o mundo, divide as pessoas, divide o tempo. Eu sempre enxerguei os dias como quadradinhos, enfileiradinhos, pra formar um mês. E cada mês vira um fio compridinho, e, dispostos um do lado do outro, os meses formam os anos. Os anos, enfileirados, seguem na mesma direção que os dias. Já os séculos vão se aglomerando lado a lado, como no caso dos meses. Essa visão dos dias-meses-anos vira quase um calendário na minha cabeça, talvez por culpa do padrão que a humanidade tenha encontrado para dividir seu tempo.
***
Uma coisa que muito me intriga é pensar sobre como uma pessoa de 60 anos deve se sentir. Porque provavelmente ela já passou da 'metade' da sua vida. Tipo, eu, com 21 anos, tenho toda a perspectiva (e estatística) do mundo de viver mais 21 anos. 42. Com 42 isso também funciona, pois chegar aos 84 não é algo muito fantástico - no sentido ficcional do termo. Ou seja, por essa lógica, eu ainda posso viver três ou quatro vezes mais a vida que eu vivi até aqui, o que é um plano de vida maravilhoso! Pena que a relatividade jogue contra o nosso time, fazendo questão de nos aprisionar na cadeia do tempo, que, com o tempo, "passa" mais rápido.
O culpado disso tudo é a rotina. Ou ainda melhor, o costume. A falta do que aprender. Quando a gente é novo, tudo é novidade, tudo é aprendizado, tudo é um infinito de segundos. Eu lembro que minhas viagens das férias de verão sempre pareciam durar três meses inteiros! Hoje eu me dou conta de que talvez eles não passassem de trinta dias!
Hoje em dia, tudo o que eu aprendo de novidade provém de coisas que já conheço ou reconheço. Para ler um livro sobre um assunto diferente, eu já conheço praticamente todas as palavras; Para ouvir o som novo de uma banda nova, eu já conheci boa parte dos instrumentos, dos timbres, dos acordes e das palavras que eles utilizam; Para puxar uma conversa com alguém estranho, eu já conheço vários caminhos, várias perguntas e várias respostas. A vida se torna quase óbvia e isso é inevitável!
Um fio puxa outro, que puxa outro, que puxa outro...
No meu livro de matemática da quinta (ou sexta) série tinha algo mais ou menos assim, sobre como uma teoria levava a outra, construindo o conhecimento maior da ciência que é a matemática. Lembro que tinha até o desenho de uns elefantes que seguravam o rabo do outro com suas trombas, formando uma corrente infinita que saía para fora do papel. Quanto mais se vive, mais essa corrente aumenta, e tudo o que fica pra trás se torna peça fundamental pras descobertas de agora. Mas ao mesmo tempo elas contribuem para que nem tudo seja mais tanta novidade assim. Porque se A + B = AB, logo C + D = CD, e isso vai ficando lógico, e não surpreendente, conforme passam os dias.
Dá pra comparar com gotas d'água também. Se a gente visualizar uma singela gota d'água e logo adicionar mais uma, é nítida a noção de que ela dobra de tamanho/volume. Agora imaginem um copo cheio d'água ao qual se acrescenta uma só gota. Que diferença faz? Uma diferença quase imperceptível. Assim é o processo para encher esse copo gota a gota. Quando a primeira gota se juntou à segunda, fez uma enorme diferença. Quando veio a terceira, ainda dava pra ver - e a quarta, e a quinta. Mas na enésima gota, se não fosse por esta atenta observadora, quase não se notaria. Com o copo se enchendo, gota a gota, cada vez mais elas foram ficando menos surpreendentes, menos notáveis, menos perceptíveis. Até alguém abrir a torneira e despejar zilhares de gotas juntas, ao mesmo tempo - aí, sim, temos algo de notável e um provável transbordamento.
O ideal da vida talvez fosse deixar a torneira sempre aberta, buscar sempre muito, buscar sempre mais... sei lá. Quando a vida se transformar num rio, aí, quem sabe, o melhor é procurar por uma cachoeira...
***
Eu sinto que a gente tem um jeito de viver bem opressor. A gente tem plena consciência de que todos esses critérios somos nós quem nos colocamos. Porque a gente tem mania de dividir. A gente vê tudo em partes, a gente classifica, escolhe, ignora. A gente divide o mundo, divide as pessoas, divide o tempo. E a gente divide a vida com preocupações idiotas, tudo porque a gente já dividiu tudo, sem se dar conta de que mesmo dividindo a gente é incapaz de descobrir onde está a metade. Porque a vida não é ciência exata como a matemática. Ela está aí. É o borrão que passa pela janela do lado do carro, com o pai dirigindo, nas férias de verão. Mas a gente se acostuma, porque gosta de se acostumar. A gente escolhe viver assim, porque é mais cômodo, é mais fácil. Seguro mesmo é a rotina. O desconhecido, salvo para as crianças, é assustador. A gente está amarrado, o tempo todo, e prefere viver assim.
***
Todo mundo pratica bondage, adora e diz que puta é a vizinha do lado, que em pleno domingo, nos seus vinte e poucos anos, com o final do ano batendo na porta, resolve ir curtir a vida na rua, porque lá fora o céu é infinito.
Os vinte e poucos anos correspondem a uma fase desesperadora da vida.
E final de ano é uma das épocas mais críticas do ano.
Acho que tudo se torna um pouquinho assim porque parece que a gente tá chegando sempre ao fim, as coisas estão passando, a gente vê que não fez nada ainda e que ainda muito mais está lá para ser feito. Dá uma sensação de coisa incompleta, de tudo pela metade e de nada satisfeito.
A fome se torna insaciável, a sede corrói os lábios, resseca a garganta, os membros se movem tão lentamente quanto nos sonhos. A corrida se torna vagarosa, mas a estrada é tão ligeira que nossos pés não acompanham. Tudo passa como as árvores passam pela janela do carro, com o pai dirigindo, nas férias de verão. A gente vê os vultos, as sombras, um borrão estranho e desfocado, mistura de verde com céu e nuvem. Isso quando a gente olha pro lado. Porque, curiosamente, e isso, a Física deve explicar, quando a gente olha pra frente ou pra trás, dá pra ver tudo mais nitidamente, mesmo que isso não signifique uma plena visão. Logo as coisas passam, logo as coisas vão.
***
Faz horas que eu paro pra pensar em como a gente vê tudo em partes, a gente divide tudo, classifica, escolhe, ignora. A gente divide o mundo, divide as pessoas, divide o tempo. Eu sempre enxerguei os dias como quadradinhos, enfileiradinhos, pra formar um mês. E cada mês vira um fio compridinho, e, dispostos um do lado do outro, os meses formam os anos. Os anos, enfileirados, seguem na mesma direção que os dias. Já os séculos vão se aglomerando lado a lado, como no caso dos meses. Essa visão dos dias-meses-anos vira quase um calendário na minha cabeça, talvez por culpa do padrão que a humanidade tenha encontrado para dividir seu tempo.
***
Uma coisa que muito me intriga é pensar sobre como uma pessoa de 60 anos deve se sentir. Porque provavelmente ela já passou da 'metade' da sua vida. Tipo, eu, com 21 anos, tenho toda a perspectiva (e estatística) do mundo de viver mais 21 anos. 42. Com 42 isso também funciona, pois chegar aos 84 não é algo muito fantástico - no sentido ficcional do termo. Ou seja, por essa lógica, eu ainda posso viver três ou quatro vezes mais a vida que eu vivi até aqui, o que é um plano de vida maravilhoso! Pena que a relatividade jogue contra o nosso time, fazendo questão de nos aprisionar na cadeia do tempo, que, com o tempo, "passa" mais rápido.
O culpado disso tudo é a rotina. Ou ainda melhor, o costume. A falta do que aprender. Quando a gente é novo, tudo é novidade, tudo é aprendizado, tudo é um infinito de segundos. Eu lembro que minhas viagens das férias de verão sempre pareciam durar três meses inteiros! Hoje eu me dou conta de que talvez eles não passassem de trinta dias!
Hoje em dia, tudo o que eu aprendo de novidade provém de coisas que já conheço ou reconheço. Para ler um livro sobre um assunto diferente, eu já conheço praticamente todas as palavras; Para ouvir o som novo de uma banda nova, eu já conheci boa parte dos instrumentos, dos timbres, dos acordes e das palavras que eles utilizam; Para puxar uma conversa com alguém estranho, eu já conheço vários caminhos, várias perguntas e várias respostas. A vida se torna quase óbvia e isso é inevitável!
Um fio puxa outro, que puxa outro, que puxa outro...
No meu livro de matemática da quinta (ou sexta) série tinha algo mais ou menos assim, sobre como uma teoria levava a outra, construindo o conhecimento maior da ciência que é a matemática. Lembro que tinha até o desenho de uns elefantes que seguravam o rabo do outro com suas trombas, formando uma corrente infinita que saía para fora do papel. Quanto mais se vive, mais essa corrente aumenta, e tudo o que fica pra trás se torna peça fundamental pras descobertas de agora. Mas ao mesmo tempo elas contribuem para que nem tudo seja mais tanta novidade assim. Porque se A + B = AB, logo C + D = CD, e isso vai ficando lógico, e não surpreendente, conforme passam os dias.
Dá pra comparar com gotas d'água também. Se a gente visualizar uma singela gota d'água e logo adicionar mais uma, é nítida a noção de que ela dobra de tamanho/volume. Agora imaginem um copo cheio d'água ao qual se acrescenta uma só gota. Que diferença faz? Uma diferença quase imperceptível. Assim é o processo para encher esse copo gota a gota. Quando a primeira gota se juntou à segunda, fez uma enorme diferença. Quando veio a terceira, ainda dava pra ver - e a quarta, e a quinta. Mas na enésima gota, se não fosse por esta atenta observadora, quase não se notaria. Com o copo se enchendo, gota a gota, cada vez mais elas foram ficando menos surpreendentes, menos notáveis, menos perceptíveis. Até alguém abrir a torneira e despejar zilhares de gotas juntas, ao mesmo tempo - aí, sim, temos algo de notável e um provável transbordamento.
O ideal da vida talvez fosse deixar a torneira sempre aberta, buscar sempre muito, buscar sempre mais... sei lá. Quando a vida se transformar num rio, aí, quem sabe, o melhor é procurar por uma cachoeira...
***
Eu sinto que a gente tem um jeito de viver bem opressor. A gente tem plena consciência de que todos esses critérios somos nós quem nos colocamos. Porque a gente tem mania de dividir. A gente vê tudo em partes, a gente classifica, escolhe, ignora. A gente divide o mundo, divide as pessoas, divide o tempo. E a gente divide a vida com preocupações idiotas, tudo porque a gente já dividiu tudo, sem se dar conta de que mesmo dividindo a gente é incapaz de descobrir onde está a metade. Porque a vida não é ciência exata como a matemática. Ela está aí. É o borrão que passa pela janela do lado do carro, com o pai dirigindo, nas férias de verão. Mas a gente se acostuma, porque gosta de se acostumar. A gente escolhe viver assim, porque é mais cômodo, é mais fácil. Seguro mesmo é a rotina. O desconhecido, salvo para as crianças, é assustador. A gente está amarrado, o tempo todo, e prefere viver assim.
***
Todo mundo pratica bondage, adora e diz que puta é a vizinha do lado, que em pleno domingo, nos seus vinte e poucos anos, com o final do ano batendo na porta, resolve ir curtir a vida na rua, porque lá fora o céu é infinito.
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sábado, 20 de outubro de 2007
De pernas abertas, de pernas pro ar...
Como diria o meu companheiro de carreira falida, Faustão, "quem sabe, faz ao vivo".
Sempre tem uma primeira vez...
Odeio horário de verão.
Preciso de um fim de dia completamente inútil.
Vou curtir uma inércia.
Preciso de um domingo.
Sempre tem uma primeira vez...
Odeio horário de verão.
Preciso de um fim de dia completamente inútil.
Vou curtir uma inércia.
Preciso de um domingo.
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